27 de outubro de 2011

Natureza Viva

Até 8 de Janeiro está patente no Museu Calouste Gulbenkian a segunda parte da exposição "A Perspectiva das Coisas. A Natureza-Morta na Europa". Dedicada aos pintores dos séc.s XIX e XX, esta mostra reúne, sob a égide da natureza-morta, trabalhos de artistas como Cézanne, Van Gogh, Matisse ou Gauguin. Se em alguns destes a temática não surpreende, outros há que se afigurariam mais improváveis, como é o caso de Picasso, Dalí ou Magritte. Em alturas como estas, tenho para mim que cuidar do espírito é um dever superlativo. Por isso, tenciono aproveitar esta oportunidade imperdível e usufruir da contemplação destas obras que mantêm vivos os grandes mestres que as originaram. Aos interessados, resta-me  deixar o repto habitual: 'Bora lá?

Pintura de Pablo Picasso: Pote, Tigela e Limão (1907).
(Fundação Beyeler, referenciada aqui)
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14 de outubro de 2011

Lexicofilia para os tempos que correm

Resiliência
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Da Física: Resistência de um material ao choque ou a uma fonte de tensão. Propriedade dos materiais que deformam sem quebrar, retomando a morfologia original.
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Da Psicologia: Termo importado da Física para caracterizar a capacidade humana de resistir à adversidade sem sucumbir psicologicamente. Não implica a negação do sofrimento mas, antes, a sua superação.
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(Pintura de Joan Miró,  L'espoir du Navigateur IV, 1973)
(A esperança do Navegador IV)

6 de outubro de 2011

(Nova) Classificação das disfunções psicológicas



Contra tudo o que sei e penso, há dias em que me apetece propor uma nova tipologia para as queixas de natureza psicológica, a saber:

A. As factuais
B. As ampliadas
C. As imaginadas





(Tradução livre: "Há quanto tempo manifesta este complexo de perseguição"?)

29 de setembro de 2011

Do primeiro amor

Dizem que não há amor como o primeiro. E eu concordo.
O meu, durou até à exaustão. E o reencontro foi muito emocionante.

24 de setembro de 2011

Lexicofilia (3)

Cumplicidade:

compreensão profunda, por vezes não expressa, entre duas ou mais pessoas.

(In Dicionário da Língua Portuguesa, 2011, Porto Editora) 
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15 de setembro de 2011

Da hegemonia feminina


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Lá em casa predomina o sexo feminino: em número e em espécie. Depois da humanídea e da canídea, não seria justo omitir a felídea. O retrato faz prova do seu temperamento: curiosa e um bocadinho altiva. E esta pose lembra-me invariavelmente o culto egípcio aos gatos. Em comum, temos o gosto pelo ronronar: ela por praticá-lo e eu por escutá-lo. Não há ansiolítico que se lhe compare...

6 de setembro de 2011

Dos melhores amigos...

A ‘melhor amiga’ lá de casa tem molas nos pés. Perdão, nas patas. Nos seus loucos 9 meses entrevê-se a alegria e inconsequência da ‘infância’. Imparável, saltita constantemente à nossa volta, pula declives que ultrapassam largamente o seu tamanho, corre desarvoradamente sem propósito e, automobilisticamente falando, chega "dos zero aos 100" em poucos segundos. 
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Se lhe atendemos, responde-nos com entusiasmo e carinho inexcedíveis: o rabo agita-se desvairado (de tal modo frenético, que esperamos vê-lo transformar-se numa hélice que a há-de levar pelos ares); os beijos incessantes (vulgo, lambidelas) atiram-se a tudo quanto alcançam; e se nos sentamos, senta-se connosco, assegurando-se de que não sobra um milímetro de espaço entre ambos.
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Carinhosamente, debito pérolas que ofenderiam algumas sensibilidades, mas não a dela, que sabe que a adoro. Enquanto a observo vou dizendo: -“Quem tem uns bigodes de respeito? Mas onde já se viu uma loira com bigode? Não te aflijas. Os da tua espécie gostam assim…” Ela olha-me com aparente atenção, e eu lembro-me da publicidade que retrata os animais a ouvir ‘blá, blá, blá, blá, blá, blá…’ Sei que assim é. Mas sei também que, independentemente da linguagem verbal, o apreço e o entendimento são recíprocos.