25 de novembro de 2011

A vida é feita (da soma) de pequenos nadas

Ontem como hoje: a eloquência de Sérgio Godinho
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(Segunda-feira / trabalhei de olhos fechados
na terça-feira / acordei impaciente
na quarta-feira / vi os meus braços revoltados
na quinta-feira / lutei com a minha gente
na sexta-feira / soube que ia continuar
no sábado / fui à feira do lugar
mais uma corrida, mais uma viagem
fim-de-semana é para ganhar coragem)

Muito boa noite, senhoras e senhores
muito boa noite, meninos e meninas
muito boa noite, Manuéis e Joaquinas
enfim, boa noite, gente de todas as cores
e feitios e medidas
e perdoem-me as pessoas
que ficaram esquecidas

Somos tantos a não ter quase nada
porque há uns poucos que têm quase tudo
mas nada vale protestar
o melhor ainda é ser mudo

E o que é certo
é que os que têm quase tudo
devem tudo aos que têm muito pouco
mas fechem bem esses ouvidos
que o melhor ainda é ser mouco
isto diz paternalmente
quem acha que é ponto assente
que isto nunca vai mudar

Ouvi dizer que quase tudo vale pouco
quem o diz não vale mesmo nada
porque não julguem que a gente
vai ficar aqui especada
à espera que a solução
seja servida em boião
com um rótulo: Veneno!
é para tomar desde pequeno
às colheradas
a vida é feita de pequenos nadas…


(Sérgio Godinho, "A vida é feita de pequenos nadas" In "Pano Crú", 1978)

12 de novembro de 2011

Einstein on the Beach

Einstein on the Beach dá título a uma famosa ópera "conceptual", da autoria de Phillip Glass e dirigida por Robert Wilson. Estreou em 1976 e teve honras de abertura do festival Francês de Avignon. Sem pretensões de coerência biográfica ou narrativa, o trabalho procurava homenagear, de uma forma original, a figura de Albert Einstein. Entre as diversas peculiaridades da obra, conta-se a duração de quase 4 horas ininterruptas, com a condição prévia de que os espectadores não poderiam abandonar o espectáculo antes do seu término. Assumidamente melómano, Einstein terá dito:  A vida sem música, sem tocar música, é inconcebível para mim. Vivo os meus sonhos acordado em música. Vejo a minha vida em termos musicais. E a maior parte da felicidade que tenho na vida, vem da música. As palavras são citadas por Pedro Amaral no magnífico Véu Diáfano, um programa da Antena 2. Também aí se ouve que, tratando-se de um exímio violinista e músico amador, o cientista terá tocado com variadas personalidades e orquestras de reconhecido mérito. A este propósito, o autor do programa prossegue: Conta-se que um dia, num ensaio com o famoso quarteto de Budapeste, ao fim de uma série de entradas falsas, o Primeiro Violino, Alexander Scheneider, parou o quarteto e disse, meio a brincar: Caramba, Albert! Não sabes contar?

Fotografia da Fundação Bryd Hoffman, fonte Aqui 
(para ouvir o programa)

6 de novembro de 2011

BD para os dias que correm...

(Toda a Mafalda,do incomparável Quino, 4ª ed., 1978, D. Quixote)
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1 de novembro de 2011

Ouvido...

Num contexto improvável, ouvi alguém dizer:
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Cada minuto que passa é uma nova oportunidade de mudar tudo para sempre. 
(...) É impossível voltar ao princípio, mas é possível construir um novo fim.
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(Pintura de Frederick Childe Hassam, Listening to the Orchard Oriole, 1902)
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27 de outubro de 2011

Natureza Viva

Até 8 de Janeiro está patente no Museu Calouste Gulbenkian a segunda parte da exposição "A Perspectiva das Coisas. A Natureza-Morta na Europa". Dedicada aos pintores dos séc.s XIX e XX, esta mostra reúne, sob a égide da natureza-morta, trabalhos de artistas como Cézanne, Van Gogh, Matisse ou Gauguin. Se em alguns destes a temática não surpreende, outros há que se afigurariam mais improváveis, como é o caso de Picasso, Dalí ou Magritte. Em alturas como estas, tenho para mim que cuidar do espírito é um dever superlativo. Por isso, tenciono aproveitar esta oportunidade imperdível e usufruir da contemplação destas obras que mantêm vivos os grandes mestres que as originaram. Aos interessados, resta-me  deixar o repto habitual: 'Bora lá?

Pintura de Pablo Picasso: Pote, Tigela e Limão (1907).
(Fundação Beyeler, referenciada aqui)
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14 de outubro de 2011

Lexicofilia para os tempos que correm

Resiliência
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Da Física: Resistência de um material ao choque ou a uma fonte de tensão. Propriedade dos materiais que deformam sem quebrar, retomando a morfologia original.
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Da Psicologia: Termo importado da Física para caracterizar a capacidade humana de resistir à adversidade sem sucumbir psicologicamente. Não implica a negação do sofrimento mas, antes, a sua superação.
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(Pintura de Joan Miró,  L'espoir du Navigateur IV, 1973)
(A esperança do Navegador IV)

6 de outubro de 2011

(Nova) Classificação das disfunções psicológicas



Contra tudo o que sei e penso, há dias em que me apetece propor uma nova tipologia para as queixas de natureza psicológica, a saber:

A. As factuais
B. As ampliadas
C. As imaginadas





(Tradução livre: "Há quanto tempo manifesta este complexo de perseguição"?)