para todos os que se sucedem,
e para todos quantos o almejam,
autênticos votos de que:
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se multipliquem as concretizações
se somem as benesses
se dividam as alegrias
se subtraiam as inquietações
e se totalizem balanços positivos.
(Dalí, The Maids-in-Waiting (Las Meninas), 1960)
"Trouxe as palavras e colocou-as sobre a mesa" (Mª do Rosário Pedreira)
20 de dezembro de 2011
14 de dezembro de 2011
8 de dezembro de 2011
Da Rádio e da Literatura
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(Assinatura de Aquilino Ribeiro, aqui)
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Cada vez mais, aprecio a rádio. Incontestavelmente, enganaram-se os que vaticinaram a sua queda com o advento da televisão e, mais tarde, de outros meios audiovisuais. Há programas, temáticas e estilos para todos os gostos. Já aqui dei o exemplo da ópera. Desta vez, o protagonismo cabe à literatura. Fernando Alves, autor de belíssimos programas na TSF, convida-nos para a Rádio de Histórias, um pequeno e sublime momento dedicado ao universo da literatura infanto-juvenil. No passado dia 7, em visita a uma livraria do Porto, o destaque foi para O Romance da Raposa, de Aquilino Ribeiro: grandiloquente e incomparável mestre das letras. A citação escolhida desvenda o início da obra e, estou em crer, aguça o desejo da sua leitura. Reza assim: Havia três dias e três noites que a Salta-Pocinhas, raposa matreira, vagueira, lambisgueira, corria os bosques farejando, batendo mato, sem conseguir deitar a unha a outra caça além de uns míseros gafanhotos, nem atinar com um abrigo em que pudesse dormir um soninho descansado... Para os que ainda não tiveram oportunidade de conhecer o texto, e porque esta literatura não discrimina idades, aqui ficam a partilha e a sugestão.
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Bibliofilia,
Rádio
3 de dezembro de 2011
Do conhecimento e da sabedoria
The Eagle soars in the summit of Heaven,
The Hunter with his dogs pursues his circuit.
O perpetual revolution of configured stars,
O perpetual recurrence of determined seasons,
O world of spring and autumn, birth and dying
The endless cycle of idea and action,
Endless invention, endless experiment,
Brings knowledge of motion, but not of stillness;
Knowledge of speech, but not of silence;
Knowledge of words, and ignorance of the Word.
All our knowledge brings us nearer to our ignorance,
(...)
Where is the Life we have lost in living?
Where is the wisdom we have lost in knowledge?
Where is the knowledge we have lost in information?
O perpetual revolution of configured stars,
O perpetual recurrence of determined seasons,
O world of spring and autumn, birth and dying
The endless cycle of idea and action,
Endless invention, endless experiment,
Brings knowledge of motion, but not of stillness;
Knowledge of speech, but not of silence;
Knowledge of words, and ignorance of the Word.
All our knowledge brings us nearer to our ignorance,
(...)
Where is the Life we have lost in living?
Where is the wisdom we have lost in knowledge?
Where is the knowledge we have lost in information?
(T. S. Eliot para a peça de teatro The Rock, 1934)
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Bibliofilia poética
25 de novembro de 2011
Um caso de vida ou de morte
É o mote da campanha lançada hoje pelo Governo, para assinalar o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Com o objectivo de combater a morte das mulheres por violência, apelando à denúncia e à mudança, a iniciativa contará, entre outras medidas, com a sensibilização das populações por via de um conjunto de imagens (algumas chocantes) veiculadas através de vídeos, outdoors, cartazes em autocarros, entre outras... Um dos vídeos está já disponível na página da APAV. Subscrevo a iniciativa, mas desaconselho a visualização aos mais sensíveis. Seja como for, nada impede a acção e o dever legal, mas acima de tudo, os deveres cívico e humano.
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Parêntesis Vários
A vida é feita (da soma) de pequenos nadas
Ontem como hoje: a eloquência de Sérgio Godinho
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(Segunda-feira / trabalhei de olhos fechados
na terça-feira / acordei impaciente
na quarta-feira / vi os meus braços revoltados
na quinta-feira / lutei com a minha gente
na sexta-feira / soube que ia continuar
no sábado / fui à feira do lugar
mais uma corrida, mais uma viagem
fim-de-semana é para ganhar coragem)
Muito boa noite, senhoras e senhores
muito boa noite, meninos e meninas
muito boa noite, Manuéis e Joaquinas
enfim, boa noite, gente de todas as cores
e feitios e medidas
e perdoem-me as pessoas
que ficaram esquecidas
…
Somos tantos a não ter quase nada
porque há uns poucos que têm quase tudo
mas nada vale protestar
o melhor ainda é ser mudo
…
E o que é certo
é que os que têm quase tudo
devem tudo aos que têm muito pouco
mas fechem bem esses ouvidos
que o melhor ainda é ser mouco
isto diz paternalmente
quem acha que é ponto assente
que isto nunca vai mudar
…
Ouvi dizer que quase tudo vale pouco
quem o diz não vale mesmo nada
porque não julguem que a gente
vai ficar aqui especada
à espera que a solução
seja servida em boião
com um rótulo: Veneno!
é para tomar desde pequeno
às colheradas
a vida é feita de pequenos nadas…
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(Segunda-feira / trabalhei de olhos fechados
na terça-feira / acordei impaciente
na quarta-feira / vi os meus braços revoltados
na quinta-feira / lutei com a minha gente
na sexta-feira / soube que ia continuar
no sábado / fui à feira do lugar
mais uma corrida, mais uma viagem
fim-de-semana é para ganhar coragem)
Muito boa noite, senhoras e senhores
muito boa noite, meninos e meninas
muito boa noite, Manuéis e Joaquinas
enfim, boa noite, gente de todas as cores
e feitios e medidas
e perdoem-me as pessoas
que ficaram esquecidas
…
Somos tantos a não ter quase nada
porque há uns poucos que têm quase tudo
mas nada vale protestar
o melhor ainda é ser mudo
…
E o que é certo
é que os que têm quase tudo
devem tudo aos que têm muito pouco
mas fechem bem esses ouvidos
que o melhor ainda é ser mouco
isto diz paternalmente
quem acha que é ponto assente
que isto nunca vai mudar
…
Ouvi dizer que quase tudo vale pouco
quem o diz não vale mesmo nada
porque não julguem que a gente
vai ficar aqui especada
à espera que a solução
seja servida em boião
com um rótulo: Veneno!
é para tomar desde pequeno
às colheradas
a vida é feita de pequenos nadas…
(Sérgio Godinho, "A vida é feita de pequenos nadas" In "Pano Crú", 1978)
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Parêntesis Vários
12 de novembro de 2011
Einstein on the Beach
Einstein on the Beach dá título a uma famosa ópera "conceptual", da autoria de Phillip Glass e dirigida por Robert Wilson. Estreou em 1976 e teve honras de abertura do festival Francês de Avignon. Sem pretensões de coerência biográfica ou narrativa, o trabalho procurava homenagear, de uma forma original, a figura de Albert Einstein. Entre as diversas peculiaridades da obra, conta-se a duração de quase 4 horas ininterruptas, com a condição prévia de que os espectadores não poderiam abandonar o espectáculo antes do seu término. Assumidamente melómano, Einstein terá dito: A vida sem música, sem tocar música, é inconcebível para mim. Vivo os meus sonhos acordado em música. Vejo a minha vida em termos musicais. E a maior parte da felicidade que tenho na vida, vem da música. As palavras são citadas por Pedro Amaral no magnífico Véu Diáfano, um programa da Antena 2. Também aí se ouve que, tratando-se de um exímio violinista e músico amador, o cientista terá tocado com variadas personalidades e orquestras de reconhecido mérito. A este propósito, o autor do programa prossegue: Conta-se que um dia, num ensaio com o famoso quarteto de Budapeste, ao fim de uma série de entradas falsas, o Primeiro Violino, Alexander Scheneider, parou o quarteto e disse, meio a brincar: Caramba, Albert! Não sabes contar?
Fotografia da Fundação Bryd Hoffman, fonte Aqui
(para ouvir o programa)
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