10 de fevereiro de 2012

Improvisemos...

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O capricho de um segundo
roubou-me o meu futuro
provisoriamente inteiro.
Hei-de reconstruí-lo ainda mais belo
como o imaginava desde o princípio.
Hei-de reconstruí-lo sobre esta terra firme
que se chama a minha vontade.
Hei-de elevá-lo sobre os altos pilares
que se chamam o meu ideal.
Hei-de dotá-lo de um subterrâneo secreto
que se chama a minha alma. (...).
(Edith Södergran, poema declamado aqui)

(Kandinsky, Improvistion 28, 1912)

(Porque nos tempos que correm, improvisar é preciso. E porque a arte expressionista, como a pintura ou a poesia que aqui se ilustram, pode ser extremamente inspiradora.) 

3 de fevereiro de 2012

São pessoas, senhores. São pessoas.

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Por estes dias chega a Portugal a vaga de frio que  tem assolado a Europa. A comunicação social anuncia que autarquias e instituições várias reforçam o apoio "aos sem-abrigo". Pessoalmente, abomino esta expressão. Categorias, como esta, remetem aquele que é humano para um plano abstracto, "coisificam-no", tornando-o invisível para muitos e aliviando a consciência de outros tantos. Não são "os sem-abrigo". São pessoas sem abrigo. São a Maria, o António, o José, o João e tantos outros, privados de condições condignas de subsistência. Se sentem frio, fome, dor, ou a simples necessidade de um banho, não dispõem de meios imediatos para os enfrentar; mas a matéria de que são feitos é idêntica à nossa. Não há os "sem abrigo" e os "outros". Há, tão-somente, pessoas. 

31 de janeiro de 2012

Lexicofilia (5) ... ou epíteto para um país

Choné: o que é maluco ou amalucado
(In Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)
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A propósito dos últimos tempos, tenho para mim que Portugal deixou de ser a "ovelha negra" da Europa para passar a ser, pelo menos internamente, a ovelha... choné!

E para "desanuviar", AQUI ficam 40 segundos de pura "chonézice".

24 de janeiro de 2012

Estrelas de Matusalém*

Tenho um manifesto fascínio por estrelas-do-mar. Estes curiosos seres (animais extremamente lentos e diversificados) existem há pelo menos 500 milhões de anos, e encontram-se em ambientes tão díspares quanto os Pólos ou o Equador. Se amputados, apresentam uma extraordinária capacidade de regeneração. De tal modo, que a estrela atingida pode reproduzir integralmente um braço omisso e, em algumas espécies, o braço suprimido origina uma estrela nova e completa(!). Além disso, (ambição desmedida de tantos), as estrelas-do mar não envelhecem. A doença ou a predação são as únicas ameaças à sua potencial "eternidade". Habitam no fundo dos mares, mas também nos sonhos e imaginário de muitos. Uma delas terá confidenciado a um dos nossos: - Sou a Estrela-do-Mar/ Só a ele obedeço, só ele me conhece/ Só ele sabe quem sou no princípio e no fim. E ainda que já tenham passado mil anos sobre este encontro, (...) mil anos são pouco, ou nada, p'ra Estrela-do-Mar.**
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(Estrelas-do-Mar: a fotografia possível, sobre uma vitrine, no Museu de História Natural de Oxford; 2008)
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[** Citação da canção de Jorge Palma, Estrela do Mar, no álbum , 1991]
*Personagem Bíblico que teria vivido cerca de 1000 anos.

19 de janeiro de 2012

O valor de 1 Euro



A Associação Movimento 1 Euro é uma associação de solidariedade social, apolítica e sem fins lucrativos (...), que representa (...) um movimento cívico (...) que utiliza apenas o apoio financeiro dos associados (1Euro por mês, por cada associado) para apoiar causas escolhidas e votadas pelos próprios
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(A informação sobre a Associação e o Movimento estão disponíveis no respectivo site, que pretende sensibilizar para a diferença que (...) 1 Euro faz na vida de alguém. A mim, sensibilizou-me. E, também por isso, aqui fica a partilha).
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Nota Bem: os euros doados não são entregues às associações beneficiárias; são primeiro convertidos nos bens materiais destinados aos candidatos.

maleitas da "blogolândia"...

(Imagem daqui)
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Recebi a indicação de que alguns visitantes se vêem impossibilitados de deixar aqui comentários. Uma vez que desconheço a origem do problema, resta-me agradecer a intenção e fazer figas para que a "maleita" desapareça tão súbita e misteriosamente quanto surgiu!

12 de janeiro de 2012

Interpelação para dias frenéticos

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E ao fim do meu dia
a matéria de que se faz a minha vida
de novo abandonada
de novo de novo abandonada
pergunta-me silenciosa
se ao apagar a luz
a vida terá princípio.
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(Pedro Tamen, Poema 23 in O livro do sapateiro, 2010, Ed. Dom Quixote)
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(Pintura de Edward Hopper, Night Windows, 1928)