Da conjugação de generosidades nasceu esta pequena preciosidade. De um lado, a generosidade literária do celebrado José Luandino Vieira e, do outro, a generosidade gráfica de Alberto Péssimo. Juntas, deram forma a esta edição da Letras & Coisas, uma publicação destinada a apoiar a ASAS. O argumento é tão simples e belo quanto intemporal: a história de uma amizade impedida pelo preconceito. O asfalto delimita a fronteira entre dois mundos contrastantes, porque do outro lado da rua asfaltada não havia passeio. Nem árvores de flores violeta. ... E (Ricardo) lembrava-se do tempo em que não havia perguntas, respostas, explicações. Quando ainda não havia a fronteira de asfalto (p.9).
"Trouxe as palavras e colocou-as sobre a mesa" (Mª do Rosário Pedreira)
8 de maio de 2012
1 de maio de 2012
1º de Maio: muito por fazer
Nada está feito enquanto resta alguma coisa por fazer.
(Romain Rolland, Prémio Nobel da Literatura em 1915)
(Imagem daqui)
24 de abril de 2012
Por toda a gente, 25 de Abril Sempre!
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravosOra me lembra reis
.
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
.
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
.
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
.
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo
.
(Sophia de Mello Breyner Andresen, 'Esta Gente' In 'Geografia', 1967, ed. Ática)
.(Liberdade, 1984, Cartaz de Vieira da Silva comemorativo do 10º aniversário do 25 de Abril de 1974)
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Parêntesis cronológico
16 de abril de 2012
Ouvido (2)
O impossível só demora mais um bocadinho.
(Ouvi a alguém esta citação. Desconheço-lhe a origem. Mas tenho para mim que dava uma boa definição de "utopia").
(Ouvi a alguém esta citação. Desconheço-lhe a origem. Mas tenho para mim que dava uma boa definição de "utopia").
(Imagem: M. C. Escher, da colecção Simetrias. In Site Oficial)
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Parêntesis para citação
9 de abril de 2012
Portugal futuro
O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro.
(Ruy Belo, "O Portugal futuro" In "Todos os Poemas", Ed. Assírio & Alvim, 2004)
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Bibliofilia poética,
Parêntesis Vários
27 de março de 2012
Serpentes engravatadas
Desengane-se quem pensa que todos os psicopatas se comparam ao protótipo de "Jack, o estripador" ou de "Hannibal Lector": geralmente sanguinários, anti-sociais e reconhecíveis pelas maiores atrocidades. Não. Também os há de fato e gravata; a comandar grandes empresas, instituições de renome, entidades financeiras e equipas de trabalho várias. É exactamente sobre esses que versa o livro de base científica "Snakes in suits: when psychopaths go to work" (infelizmente não traduzido para português). Da autoria de dois peritos em psicopatia (Paul Babiak e Robert Hare), a obra retrata como "qualidades" de liderança, carisma superficial, convicção, flexibilidade moral e ética, capacidade de correr riscos, ambição ou manipulação podem resultar numa escolha perigosa (estimada em 10% dos casos) e invariavelmente destrutiva (para uns quantos ou para muitos). O principal problema não residirá na maioria dos requisitos mas, antes, no facto de muitos deles encaixarem "como uma luva" na personalidade anti-social (termo técnico para a vulgar designação de "psicopata"). Ainda agora comecei a leitura, mas já a aconselho vivamente.
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Bibliofilia
20 de março de 2012
Da esperança
(Georges Braque, Little Bay at La Ciotat, 1907)
.
(Valter Hugo-Mãe, 'O Homem que era só Metade' In 'O Filho de Mil Homens', 2011)
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Bibliofilia,
Unputdownable
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