6 de setembro de 2011

Dos melhores amigos...

A ‘melhor amiga’ lá de casa tem molas nos pés. Perdão, nas patas. Nos seus loucos 9 meses entrevê-se a alegria e inconsequência da ‘infância’. Imparável, saltita constantemente à nossa volta, pula declives que ultrapassam largamente o seu tamanho, corre desarvoradamente sem propósito e, automobilisticamente falando, chega "dos zero aos 100" em poucos segundos. 
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Se lhe atendemos, responde-nos com entusiasmo e carinho inexcedíveis: o rabo agita-se desvairado (de tal modo frenético, que esperamos vê-lo transformar-se numa hélice que a há-de levar pelos ares); os beijos incessantes (vulgo, lambidelas) atiram-se a tudo quanto alcançam; e se nos sentamos, senta-se connosco, assegurando-se de que não sobra um milímetro de espaço entre ambos.
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Carinhosamente, debito pérolas que ofenderiam algumas sensibilidades, mas não a dela, que sabe que a adoro. Enquanto a observo vou dizendo: -“Quem tem uns bigodes de respeito? Mas onde já se viu uma loira com bigode? Não te aflijas. Os da tua espécie gostam assim…” Ela olha-me com aparente atenção, e eu lembro-me da publicidade que retrata os animais a ouvir ‘blá, blá, blá, blá, blá, blá…’ Sei que assim é. Mas sei também que, independentemente da linguagem verbal, o apreço e o entendimento são recíprocos.

19 de agosto de 2011

Tripetrepe

Que é como quem diz: de mansinho... pé ante pé.
Assim se faz este regresso. Hesitante ainda, mas esperançado na jornada.

















(Imagem: Jacqueline ensinando Picasso, 1957, por David Douglas Duncan)
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1 de julho de 2011

Interlúdio



Interlúdio, pausa, parêntesis, intervalo, interrupção... foi o que o  ritmo dos dias impôs a este espaço.
Aproveitamos uma fugaz oportunidade para assegurar a tod@s que os lembramos na ausência.

16 de junho de 2011

Paraíso de um poeta maior

[David Mourão-Ferreira (24/02/1927 - 16/6/1996),
Paraíso In "Infinito Pessoal", 1959-1962]
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Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.
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(Imagem daqui)

12 de junho de 2011

Em vésperas de Santo António

Aqui ficam composições de homenagem à cidade que se veste de festa


É varina, usa chinela,
tem movimentos de gata;
na canastra, a caravela,
no coração, a fragata.
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Em vez de corvos no xaile,
gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile,
baila no baile com o mar.
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É de conchas o vestido,
tem algas na cabeleira,
e nas veias o latido
do motor duma traineira.
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Vende sonho e maresia,
tempestades apregoa.
Seu nome próprio: Maria.
Seu apelido: Lisboa.



(Maria Lisboa por David Mourão-Ferreira e Alain Oulman.
Tema originalmente interpretado por Amália Rodrigues e aqui na voz de Mariza)
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(Pintura de J. B. Durão, Lisboa, Sé Catedral, 2009)
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6 de junho de 2011

Das eleições


Quem te sagrou criou-te português,

Do mar e nós em ti nos deu sinal.

Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.

Senhor, falta cumprir-se Portugal!


(Fernando Pessoa, 'O Infante' in Mensagem, Ed. Centro Atlântico, 2010)
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1 de junho de 2011

Da Criança

Os que te amam sejam como o sol
no cimo do seu esplendor*
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*José Tolentino Mendonça 'do Canto de Débora' In 'A Estrada Branca', 2005, Assírio & Alvim)
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