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18 de novembro de 2012

Porque gostam os gatos dos escritores?




«No âmbito de uma exposição sobre a vida e obra de Manuel António Pina, o Museu Nacional da Imprensa preparou um inquérito (cujos excertos reproduzimos aqui) sobre a relação dos escritores com os gatos. As perguntas simples que fizemos a vários escritores foram as seguintes: Por que gostam os escritores de gatos? Ou por que gostam os gatos dos escritores?» 


(@ Jornal Notícias em dossier de homenagem a Manuel António Pina, no dia em que celebraria 69 anos de idade)

24 de abril de 2012

Por toda a gente, 25 de Abril Sempre!


Esta gente cujo rosto
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco
Ora me lembra escravos
Ora me lembra reis
.
Faz renascer meu gosto
De luta e de combate
Contra o abutre e a cobra
O porco e o milhafre
.
Pois a gente que tem
O rosto desenhado
Por paciência e fome
É a gente em quem
Um país ocupado
Escreve o seu nome
.
E em frente desta gente
Ignorada e pisada
Como a pedra do chão
E mais do que a pedra
Humilhada e calcada
.
Meu canto se renova
E recomeço a busca
De um país liberto
De uma vida limpa
E de um tempo justo
.
(Sophia de Mello Breyner Andresen, 'Esta Gente' In 'Geografia', 1967, ed. Ática)
.
(Liberdade1984, Cartaz de Vieira da Silva comemorativo do 10º aniversário do 25 de Abril de 1974)

16 de junho de 2011

Paraíso de um poeta maior

[David Mourão-Ferreira (24/02/1927 - 16/6/1996),
Paraíso In "Infinito Pessoal", 1959-1962]
.
Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.
.

(Imagem daqui)

12 de junho de 2011

Em vésperas de Santo António

Aqui ficam composições de homenagem à cidade que se veste de festa


É varina, usa chinela,
tem movimentos de gata;
na canastra, a caravela,
no coração, a fragata.
.
Em vez de corvos no xaile,
gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile,
baila no baile com o mar.
.
É de conchas o vestido,
tem algas na cabeleira,
e nas veias o latido
do motor duma traineira.
.
Vende sonho e maresia,
tempestades apregoa.
Seu nome próprio: Maria.
Seu apelido: Lisboa.



(Maria Lisboa por David Mourão-Ferreira e Alain Oulman.
Tema originalmente interpretado por Amália Rodrigues e aqui na voz de Mariza)
.
(Pintura de J. B. Durão, Lisboa, Sé Catedral, 2009)
.

25 de abril de 2011

As Portas que Abril Abriu

(...)
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
(...)
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
(...)
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse

e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.

(José Carlos Ary dos Santos, As Portas que Abril Abriu, 1975)
Imagem: Cartaz de Maria Helena Vieira da Silva
.

29 de julho de 2010

Vincent Willem van Gogh

(Vicent van Gogh, The Red Vyneard, 1888)
.
A 29 de Julho de 1890, Van Gogh falece ao cabo de dois dias de padecimento, na sequência de um tiro apontado ao próprio peito. The Red Vyneard foi o único trabalho que presumivelmente vendeu em vida. Uma curta existência de 37 anos, ocupada por uma carreira artística de apenas 10. Contudo, a grandeza da obra opõe-se ao fugaz hiato da sua duração. Na página do museu oficial, pode ler-se que se lhe conhecem 864 pinturas e quase 1200 desenhos. Viveu pouco, produziu muito e vendeu (quase) nada. Ainda assim, não foi efémero.

19 de julho de 2010

Uma vida, uma causa (3)

Aristides de Sousa Mendes
(19/07/1885 a 3/4/1954)
.
No dia em que se assinala o seu nascimento, não posso deixar de prestar mais esta homenagem a quem muito honra a condição de ser Português. Detentor de uma carreira bem sucedida, na iminência de uma promoção, o rumo de vida deste grande homem é radicalmente alterado quando, em 1938, Salazar o envia para Bordéus. Pouco tempo depois, no eclodir da 2ª Guerra Mundial, e conhecedor dos campos de prisioneiros judeus instalados em França, corajosamente contraria a ordem estabelecida pela Circular nº14 (que proíbe a concessão de vistos portugueses a cidadãos judeus). O feito permitiu que salvasse 30.000 vidas, a expensas da própria. Acabou pobre, doente e só. A sua acção ímpar foi posteriormente usurpada pela propaganda do mesmo governo que o havia condenado e apelidado de "cônsul desobediente". Muitos anos decorreram até que o país repusesse a justiça histórica e lhe reconhecesse o mérito. E agora pergunto: 'Quantos anos mais serão necessários para que conste dos manuais escolares?'

18 de julho de 2010

Uma vida, uma causa (2)

Parabéns Madiba!
(Imagem de Junior Lopes, aqui)

Comemora-se hoje o 92º aniversário de Nelson Mandela. Foram 67 anos dedicados a uma causa: à luta pela paz, pelos direitos humanos e pela igualdade entre cores na nação do arco-íris. A herança de Mandela é dificilmente superável. A todos incita com o seguinte repto: 'ofereçam aos outros 60 minutos da vossa semana’. Um pedido modesto de quem se lhes devotou por mais de 60 anos... Ainda assim, o desafio é grande.

6 de julho de 2010

Matilde Rosa Araújo (1921-2010)

(Imagem do ´Século Ilustrado', nº 485, Abril de 1947daqui)

Os alunos, muitas vezes, julgavam que os escritores tinham todos morrido e quando começámos a aparecer por lá... mostrámos afinal que não éramos o "clube dos poetas mortos"... Desses encontros trago sempre um quinhão de felicidade que os alunos generosamente me entregam na fraternidade do ler, do seu ler. Uma felicidade que me ensina tanto. Assim eu possa continuar a aprender.
.
(Matilde Rosa Araújo em entrevista à 'Página', nº 114, Julho 2002)
  
E assim possamos nós mantê-la "viva" e continuar a aprender com ela. 

Uma vida, uma causa...

75º Aniversário de Dalai Lama
Comemora-se uma vida que se confunde com uma causa. Uma causa mandatária de uma cultura, uma Língua, um território e, sobretudo, muitas outras vidas. Aqui fica a homenagem ao homem e à causa que incansavelmente representa.

(Site Oficial Aqui)
(Fotografia por Norbu, daqui.)

1 de julho de 2010

Dia Mundial da Biblioteca

Assinalo-o com a citação de J L Borges que deu o mote a este blogue:
'Siempre imaginé que el paraiso seria algún tipo de biblioteca'
Biblioteca do Convento de Mafra
(Imagem daqui, onde há outras que merecem ser espreitadas)

12 de junho de 2010

Contra o trabalho infantil

Que este Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil se multiplique pelos restantes 364
.

1 de maio de 2010

Dia do trabalhador: tarefas inacabadas

.
Acesso justo ao trabalho
.
Trabalho digno para todos
.
Igualdade salarial entre homens e mulheres
.
Erradicação do trabalho infantil
.
Integração profissional das pessoas com deficiência
.
Extinção do trabalho escravo
.
Segurança e saúde no trabalho... etc., etc., etc.

(Foto de Elise Amendola, 2008)

29 de abril de 2010

Da dança ou... do estar entre céu e chão

.

A dança? Não é movimento,
súbito gesto musical
É concentração, num momento,
da humana graça natural.

No solo não, no éter pairamos,
nele amaríamos ficar.
A dança - não vento nos ramos:
seiva, força, perene estar.

Um estar entre céu e chão (...)

(Carlos Drummond de Andrade,´A Dança e a Alma`
in "Antologia Poética", 1960)

(29 de Abril, Dia Mundial da Dança ou... de uma expressão ímpar do génio humano)

8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher: De quantos mais precisaremos?

..
Foi há 100 anos que se instituiu a comemoração do Dia Internacional da Mulher. No ano que se seguiu, a efeméride foi comemorada, pela primeira vez, por mais de um milhão de pessoas em diferentes países. Infelizmente, apenas poucos dias depois, sucedeu o fatídico 'Triangle Fire', episódio que resultou na morte de 140 operárias Nova-Iorquinas que reivindicavam a redução de 16 para 10 horas de trabalho diário. A reivindicação, porém, não parou, muitas vezes inspirada sob a égide de belíssimos slogans como o célebre "Bread and Roses" (abaixo)*.

Desde então, muitas mulheres conquistaram muitos direitos, mas por todo o mundo são ainda muitas as que não os alcançaram, as que os desconhecem, ou aquelas a quem sistematicamente lhes são negados. Quantos "Dias" mais serão precisos para erradicar esta realidade?

27 de janeiro de 2010

Porque importa não esquecer

..
Passam hoje 65 anos da libertação de Auschwitz.
E importa não (deixar) esquecer.
Ali foram assassinadas 1,1 MILHÃO de pessoas.

7 de dezembro de 2009

7 de Dezembro de 1937


Se vivesse, Ary dos Santos comemoria hoje 72 anos. Pródigo letrista e poeta, entre outros, a partida precoce não o impediu de deixar obra vasta e marcante. Genial na orquestração das palavras, na erupção de sentimentos ou na expressão de estados de alma, Ary é um vulto incontornável do património literário português. E que outras palavras, senão as suas, seriam melhores para o homenagear? Aqui fica, pois, uma homenagem ao Poema e ao Poeta.




                                                    
(No teu poema)
No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,  
um corpo que respira, um céu aberto,                                                             
janela debruçada para a vida.                                                                     
(…) 
No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.
(…)
Existe a noite,
o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço
do corpo que adormece em cama fria.
(…)                                                                                                                    
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai                                                           
ou que resiste,                                                                                                  
que vence ou adormece antes da morte.                                                                     
(…)                                                                                                                      
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,                                                             
existe tudo o mais que ainda escapa                                                                      
e um verso em branco à espera de futuro.                                         
                                                                                                                    

1 de dezembro de 2009

1 de Dezembro de 1934



1 de Dezembro de 1934 foi a data escolhida por Fernando Pessoa
para a publicação da primeira edição de Mensagem.
"1" para indicar a data, e
"1" para o número de obras poéticas publicadas em vida pelo autor.
"1" para aludir ao derradeiro ano que viveu após esta publicação, e
"1" para classificar o lugar que ocupa ao lado de outros poetas de génio.
"1" para o mérito maior que o presente lhe reconhece, e
"1" para a mesquinhez a que o passado o votou.
"1" terá sido uma data ocasionalmente escolhida? Ou
"1" terá sido uma Mensagem "encoberta" pelo autor?
Seja como for, "1" é, neste caso, um algarismo polissémico.