18 de setembro de 2010

Do amor e do poeta



Hoje, desafiaram-me a falar de amor. A única coisa que me ocorreu foi esta intrigante asserção do poeta: Ama como começa a estrada.
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(Mário Cesariny in 'Pena Capital', 1957)




(Carlos Botelho, 'Mário Cesariny', 2010)

16 de setembro de 2010

Correspondência felídea

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Minha Querida Maria Helena
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A sua carta inter-gatos é das coisas mais lindas que já li - não tem resposta, como as obras-primas. A única coisa que eu sei é enviar-lhe um dia destes uma radiografia muito bonita da Anna Blume que, coitada, não tem árvores, nem quintal nem telhados por onde malandrar e se escapuliu uma noite destas para a rua. (...) Uma pequena lesão, erradamente atribuída a gato galante, que não fazem assim, prendeu-lhe a fabulosa cauda por uns dias e daí o retrato interior. É lindo, como há-de ver. E de uma simplicidade aterradora (parece um Picabia) em corpo tão complexo, tão vivo e secreto. 

(Mário Cesariny in Gatos Comunicantes - correspondência entre Vieira da Silva e Mário Cesariny 1952 - 1985; Serigrafia do autor)

11 de setembro de 2010

Auto-conhecimento...

'Pinto auto-retratos ... porque sou a pessoa que conheço melhor'
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(Frida Kahlo, 'Autorretrato', 1933)

7 de setembro de 2010

Ler, devia ser proibido!

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'Pensando a respeito, eu acho que ler devia ser proibido. Nada contra quem lê. Mas em certas coisas não se duvida, e ler não é nada bom. A leitura nos torna incapazes de suportar a realidade. A leitura tira o Homem de sua vida pacata e o transporta a lugares nada convencionais… Para uma criança, o perigo é ainda maior, porque ela pode crescer inconformada com os problemas do mundo, e querer até mudá-lo! Dá para imaginar? E outra coisa: ler pode estimular a criatividade e você não quer uma criancinha ‘bancando’ o geniozinho por aí… Quer? Além disso, a leitura pode tornar o Homem mais consciente, e ia ser uma confusão se todo o mundo resolvesse exigir o que merece. Nada de vagar pelos caminhos da imaginação, simplesmente porque leu um bom livro. Há quem diga que ler engrandece, mas eu não conheço um caso sequer. Quer um conselho? Silêncio! Ler, só serve aos sonhadores, e sua vida não é uma brincadeira. Cuidado! Ler, pode tornar as pessoas… perigosamente mais humanas'. (Universidade Salvador, Bahia).

5 de setembro de 2010

Ignomínia

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Descredibilizar as vítimas poderá constituir estratégia de mitómanos,
mas não demonstra a inocência de ninguém.
’I was walking along... there was blood and tongues of fire above the blue-black fjord and the city - my friends walked on, and I stood there trembling with anxiety - and I sensed an infinite scream ...’ (Edvard Munch, Skrik, 1910 (?) @ Munch Museet).

3 de setembro de 2010

Sem legenda

No dia em que se conhece o resultado de um mediático processo.
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(Ilustração de Maria keil)

2 de setembro de 2010

Loucura... bovina?

(Imagem daqui)
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Uma das coisas mais deliciosas que li nos últimos tempos chama-se Quantas Madrugadas tem a Noite. Obra de Ondjaki, escritor Angolano e um jovem valor literário com provas dadas. A determinada altura do livro, um 'muadiê', narrador participante, discorre sobre a estratégia europeia para a encefalopatia espongiforme bovina nos seguintes termos: 'Ai num sabes?, lá nas europas tão a matar vacas só à toa, só por causa duma loucurazita, aqueles muadiês não batem bem ... Nós aqui mesmo, nosso país, nossas guerras... porra, se desconfiam que uma vaca tá louca - vaca pode ficar louca? quando muito, tá confusa! - mas se desconfiam só, pronto, pode ser uma, mas vão abater já mil. Meu, ouve só a minha ideia... mandar todas vacas aqui, vamos lhes receber no porto, festa e cortejo já e tudo. Vamos com as vacas pro campo... festa das minas, mas não só - elas rebentam e ficam logo semigrelhadas. ... eu mesmo seria o primeiro grelhador das vacas loucas, todas minas descobertas e carne pronta... Minha ideia, uí, mas te autorizo a revelar'.
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(Ondjaki in ´Quantas Madrugadas tem a Noite', 2004, Ed Caminho).