25 de janeiro de 2011

Burro-de-carga...

Há pessoas com gostos ecléticos, e eu, definitivamente, incluo-me nesse grupo. No que toca a interesses musicais, a regra mantém-se. Para espanto de alguns, e nem tanto de outros, sempre gostei muito dos Rolling Stones. Não me lembro que idade teria quando os ouvi pela primeira vez, mas lembro-me de os trautear quando ainda não sabia uma palavra de Inglês e a coisa saía mais ou menos assim: ‘ai quén guéééé nou/ sétisfécshannnn…/ ai quén gué nou…’.  Claro está que eu não imaginava que me queixava sem qualquer razão. Mas, verdade seja dita, nessa idade eu era inimputável. Uns anos depois, por altura da adolescência, quando as letras das músicas se tornam um imperativo, descobri, graças ao grupo, uma expressão que julgava exclusivamente portuguesa, a saber: “burro-de-carga”. Isto porque, reza a música: “I’ll never be your beast of burden…”. Sempre que ouço a canção, lembro-me invariavelmente do episódio e da consciência crescente, que chega por essa altura da vida, de que o combate à própria ignorância se pode fazer de múltiplas formas. E ainda que a tarefa jamais se conclua, vale sempre a pena persistir nela (mesmo que a expensas de gostos musicais duvidosos…).


(The Rolling Stones, 'Beast of Burden' In Álbum Some Girls, 1978)

7 comentários:

  1. Muito bem. Um post interessante e muito pedagógico. Gostei. E, confesso que não fui uma grande apreciadora dos RS embora também tivesse trautedo/gritado muitas vezes "ai quen guéte nou satisféqchan" (esta minha prnúncia inqualificável....)

    :)))))

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  2. Eu também gosto destas "pedras", já um bocado gastas e tal, mas ainda a rolar. :)
    É curiosa esta tão grande proximidade idiomática. Embora, no final de contas, não seja de ficar tão admirada: sujeições destas existem, por feitio ou imposição, por esse mundo fora. E também isto daria uma longa conversa...
    Beijinhos e keep on rockin'!

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  3. Durante muito tempo, os Rolling Stones e os Bestles foram os grupos da «Oposição»? e da «Situação», respectivamente.
    Sobretudo através de duas canções paradigmáticas:
    «I Can't Get Satisfation»
    e
    «Let It Be»

    A canção irada e de revolta
    A canção da resignação

    Porém, para nosso drama, qualquer das bandas ergueram um repertório que deveria ser património mundial.

    Foi um gosto ouvir os RStone através deste clip que editas.

    Bjs

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  4. R,
    Adoro os Roling Stones e como afirma JPD a música «I Can't Get Satisfation» era, é, e será a da "oposição (?)" /combatividade, ou seja suscita a procura.
    Deste modo, com esta e a música que escolheu os Stones vão ao encontro do seu texto numa simbiose perfeita!

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  5. De facto
    a coisa não é fácil de traduzir
    nos nossos dias
    mas o facto de a ter colocado
    fez-me cantar
    Bj

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  6. Revejo-me no que escreves, com a ressalva da diferença de gerações e de que não acho que os RS sejam gostos musicais duvidosos...mas também foi por essa via que aprendi muito do francês que ainda domino - e no meu tempo de adolescente eram mesmo duvidosos alguns como o Adamo, o Richard Antony, o Johny Halliday:)))
    (E adorei a tua transcrição fonética, porque também cantei assim:))))

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  7. ui n oiço nada :DD

    prefiro "i´m not waiting on girl i'am just waiting on a friend" mais coisa menos coisa é que é do meu tempo eheheheh

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