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8 de dezembro de 2011

Da Rádio e da Literatura

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(Assinatura de Aquilino Ribeiro, aqui)
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Cada vez mais, aprecio a rádio. Incontestavelmente, enganaram-se os que vaticinaram a sua queda com o advento da televisão e, mais tarde, de outros meios audiovisuais. Há programas, temáticas e estilos para todos os gostos. Já aqui dei o exemplo da ópera. Desta vez, o protagonismo cabe à literatura. Fernando Alves, autor de belíssimos programas na TSF, convida-nos para a Rádio de Histórias, um pequeno e sublime momento dedicado ao universo da literatura infanto-juvenil. No passado dia 7, em visita a uma livraria do Porto, o destaque foi para O Romance da Raposa, de Aquilino Ribeiro: grandiloquente e incomparável mestre das letras. A citação escolhida desvenda o início  da obra e, estou em crer, aguça o desejo da sua leitura. Reza assim:  Havia três dias e três noites que a Salta-Pocinhas, raposa matreira, vagueira, lambisgueira, corria os bosques farejando, batendo mato, sem conseguir deitar a unha a outra caça além de uns míseros gafanhotos, nem atinar com um abrigo em que pudesse dormir um soninho descansado... Para os que ainda não tiveram oportunidade de conhecer o texto, e porque esta literatura não discrimina idades, aqui ficam a partilha e a sugestão.
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12 de novembro de 2011

Einstein on the Beach

Einstein on the Beach dá título a uma famosa ópera "conceptual", da autoria de Phillip Glass e dirigida por Robert Wilson. Estreou em 1976 e teve honras de abertura do festival Francês de Avignon. Sem pretensões de coerência biográfica ou narrativa, o trabalho procurava homenagear, de uma forma original, a figura de Albert Einstein. Entre as diversas peculiaridades da obra, conta-se a duração de quase 4 horas ininterruptas, com a condição prévia de que os espectadores não poderiam abandonar o espectáculo antes do seu término. Assumidamente melómano, Einstein terá dito:  A vida sem música, sem tocar música, é inconcebível para mim. Vivo os meus sonhos acordado em música. Vejo a minha vida em termos musicais. E a maior parte da felicidade que tenho na vida, vem da música. As palavras são citadas por Pedro Amaral no magnífico Véu Diáfano, um programa da Antena 2. Também aí se ouve que, tratando-se de um exímio violinista e músico amador, o cientista terá tocado com variadas personalidades e orquestras de reconhecido mérito. A este propósito, o autor do programa prossegue: Conta-se que um dia, num ensaio com o famoso quarteto de Budapeste, ao fim de uma série de entradas falsas, o Primeiro Violino, Alexander Scheneider, parou o quarteto e disse, meio a brincar: Caramba, Albert! Não sabes contar?

Fotografia da Fundação Bryd Hoffman, fonte Aqui 
(para ouvir o programa)